segunda-feira, 17 de agosto de 2009

" Não se vá "


Semana passada, uma transeunte me deu um livro. Um livreto na verdade. Um livro religioso ou algo, provavelmente religioso. Na capa vinha escrito "Quando perdemos alguém que amamos".
Não me detive em o ler. Até levantei a hipótese, mas não o fiz. Juntou-se às dezenas de papeis recebido diariamente e às centenas de cogitações em conhecer mais e mais. Entretanto o título ficou. E a promessa de escrever a respeito também. Cumprindo então, deixo-o aqui:
"Quando perdemos alguém que amamos"
A vida é isso mesmo, um vai e vem de pessoas, frases, amores, amigos, irmãos, animais de estimação e de você consigo mesmo.
Parte-se por ir trabalhar em outro Estado, parte-se por terminar um namoro, parte-se por uma briguinha besta, parte-se porque perdeu o número do celular, parte-se por medo, parte-se por coragem, parte-se pela morte. Uma hora ou outra, alguém que se ama, ou mesmo você, vai. E fica uma saudade. Uma coisa boa ou um ranço pequeno. Mas a saudade fica, sempre.
Quando alguém que se ama te deixa, com o passar, some um pouco a lembrança constitucional e dá-se início ao resgate memorável.
- Como ele era mesmo?
Junta-se os pedaços...
- ah, é mesmo, ele tinha uma barba mal feita branca
- Lembra a careta que fazia quando dançávamos macarena?
- Os olhos verdes... um sorriso largo...
- E que não gostava de sushi! Lembra??? Dizia que não comia nada semi-vivo!
- Pois é, ele faz falta
- Sim, faz.
Suspira-se.
E lá vem o pesar, o choramingar uma partida que não pôde ser adiada, um adeus, um "só Deus".
Mas quando alguém vai, só se pode lamentar. Só. Aguardar um luto. Todo esse sofrer do amor que se foi, passará. Se não passar, ameniza-se. Como o tempo é o senhor da razão, senta, espera, isso vai passar.
Para os que perderam recentemente.
Um beijo.
Maria.

4 comentários:

marcelo disse...

Gostei do texto Marina! É tão singelo e bonito! Boas memórias também, coisas simples né! São as que ficam no final, os detalhes de cores, texturas, e sensações! Abraço!!

Maria disse...

Obrigada Marcelo. Apareça sempre.
Bjo.
Maria.

Milena Matias disse...

Ahh Muchacha!! Coisa mais linda...
Tô tocada, quando vc me falou nem imaginei que fosse assim. Simples e delicado texto...simples e delicadas lembranças de quem se foi.
Beijos mil

Franzinha disse...

Um texto muito bem elaborado de um oncologista pediatra americano conta a história de uma menininha que nos traz uma inesperada revelação sobre Chegadas e Partidas, a partir de um conceito muito simples, porém sábio, de saudade: "Ah, tio, saudade é o amor que fica".
Não há nada de mal em se sentir saudades, você só sente falta do que foi bom. A saudade traz recordações doces. A saudade traz também o mesmo aperto no peito que nos surge com tudo que é abstrato. Porque somos humanos e temos que tocar. Temos que ve para crer, não conseguimos viver só de lembranças, precisamos do físico, do concreto.
- Eu lembro, era tão bom!! - entre risos
- Mas eu nunca mais vou ouvir sua voz ou sentir o seu cheiro - entre lágrimas.
Isso me remete a uma outra filosofia. Aproveite bem quem você tem por perto e vê se não perde tempo com bobagens e sentimentos mesquinhos. Não guarde mágoas. Perdoe. Ame. Não tenha medo de sofrer com perda.
Ah!! Quanta coisa perdemos por medo de perder!!!!
Beijos, amiga